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Elogio do Pingo Doce

O bacalhau com natas está de acordo com os cânones, o bacalhau com broa é bom mas é raro, as favas com entrecosto, a feijoada e a dobrada são boas e suplantam mesmos algumas que já comi em restaurantes.


Ericem-se, leitores anticapitalistas radicais: hoje vou elogiar uma cadeia de supermercados e daquele que mais vitupérios arranca à extrema-esquerda local.

Só há relativamente pouco tempo, já depois de me ter “mudado” para o Pingo Doce (que tem melhores preços do que os restantes e uma parceria vantajosa com a BP para descontos nos combustíveis), é que comecei a fazer algumas incursões pelo seu “take away”: pratos de bacalhau, alguns pratos mais tradicionais, legumes salteados (grelos e espinafres), deixando de lado as massas, por exemplo, que não me entusiasmam, e o arroz de pato, “light” demais para meu gosto.

A experiência foi-se revelando interessante e os preços muito razoáveis. O bacalhau com natas está de acordo com os cânones, o bacalhau com broa é bom mas é raro, as favas com entrecosto, a feijoada e a dobrada são boas e suplantam mesmos algumas que já comi em restaurantes. Mas há alguns passos que é conveniente dar, tomando como base a comida que chega bastante fria (ou seja, com melhor conservação): aquecer, consoante for mais apropriado, no lume, no forno ou no micro-ondas, acrescentar um fio de azeite, alho, algumas ervas aromáticas no fim, reforçar com um enchido ou outro, se tal for recomendável.

Para esta época, o Pingo Doce foi mais longe e preparou mais pratos para o Natal e para o Ano Novo. Não fui aos pratos principais (numa oferta alargada interessante) mas, optando por acompanhamentos, verifiquei a eficácia do serviço.

Fiz a encomenda “on line” e confirmaram-na rapidamente, com processos simples. Quis alterar a hora de levantamento na loja e fi-lo sem problemas. E não precisei de pagar antes, mas apenas no acto da entrega. (Quase ao mesmo tempo, quis fazer “on line” um pedido de desvio de correspondência do serviço disponibilizado pela empresa monopolista CTT e desisti, tal era a complexidade da coisa.)

É de esperar que o próximo passo seja a possibilidade de encomendar antecipadamente, para o que seria útil, também, saber previamente quais são os pratos do dia. Chegaremos lá?

DIGESTIVO

E o que é que se pode fazer quando, muito simpaticamente, nos põem à mesa, no restaurante, uma garrafa de vinho com Cabernet Sauvignon? Bem, tem de se provar. E, provado, não é que o vinho era realmente bom? Foi o que me aconteceu no restaurante Naco na Pedra, em Salir do Porto, em que o competentíssimo chef António Flores foi buscar à sua portentosa garrafeira um Quinta do Pouchão, de 2011, um tinto Regional Tejo feito com as castas Castelão, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon pela Sociedade Agrícola Ouro Vegetal, de Alferrarede (Abrantes). Bebido e bem apreciado, revelou-se realmente muito bom, sem os laivos adocicados da Cabernet Sauvignon.

 

* Pedro Garcia Rosado é um escritor e tradutor português. Pode acompanhá-lo aqui: pedrogarciarosado.blogspot.pt

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