Terça, 02 de Setembro, 2014

Investigação do caso Amarildo indica que outras pessoas podem ter sido torturadas e mortas pela polícia da Rocinha

Audiência reforçou as acusações já feitas pela denúncia do Ministério Público e acrescentou informações novas, como a de que outras pessoas podem ter sido torturadas e mortas por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha.

Rio de Janeiro - O Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza deve ser concluído e entregue à Corregedoria da Polícia Militar na próxima semana. O IPM é uma investigação interna, realizada pela própria PM, sobre possíveis transgressões e desvios de conduta cometidos por seus agentes.

A investigação está à cargo da 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Paralelo ao inquérito, há um processo criminal que tramita na 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro.

Vinte e cinco policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha foram denunciados pelo Ministério Público Estadual à Justiça no processo. Eles são acusados de tortura e morte do ajudante de Pedreiro Amarildo de Souza, em 14 de julho do ano passado.

Ontem (20) foi realizada a primeira audiência de instrução do caso na Justiça, com o depoimento de três testemunhas de acusação: os delegados da Divisão de Homicídios Rivaldo Barbosa e Ellen Souto, além do inspetor de Polícia Civil Rafael Rangel.

Segundo o advogado da família de Amarildo, João Tancredo, a audiência de ontem reforçou as acusações já feitas pela denúncia do Ministério Público e acrescentou informações novas, como a de que outras pessoas podem ter sido torturadas e mortas por policiais da UPP da Rocinha.

"Foi uma comprovação daquilo que a gente já sabia. O fato novo que tem é que o delegado [Rivaldo Barbosa] disse que tem outros Amarildos na Rocinha. Isso é algo importante porque a gente já sabia que tinha a prática de tortura [na UPP]. Tem 22 denúncias no Ministério Público de torturas semelhantes às que foram feitas no Amarildo", disse Tancredo.

A assessoria de imprensa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) informou, por meio de nota, que as denúncias de tortura "foram feitas direto ao Ministério Público. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora respeita as decisões da Justiça, porém não comenta informações às quais não teve acesso", diz a nota.

Também de acordo com o advogado, uma testemunha do caso afirma que, além dos integrantes da UPP, houve a participação de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na ocultação do corpo de Amarildo. "A informação que se tem é que o Bope retirou o corpo do Amarildo da Rocinha."

A Polícia Militar informou, no entanto, que, segundo o IPM, "não há nenhum indício que possa levar a conclusão que houve participação do BOPE, no caso Amarildo", diz a nota divulgada pela assessoria de imprensa da PM.

A 35a Vara Criminal do Rio de Janeiro retomará as audiências de instrução do caso Amarildo depois do carnaval. Segundo o Tribunal de Justiça, 17 testemunhas de acusação foram convocadas para depor na próxima audiência, marcada para 12 de março. E, de acordo com o advogado João Tancredo, entre as testemunhas está a esposa de Amarildo de Souza, Elisabete Gomes.

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