Domingo, 26 de Março, 2017

Governo angolano pressiona Brasil para retomar linha de crédito

"Nós queremos esperar que o Brasil consiga honrar os seus engajamentos que permitiram durante os anos anteriores criarmos uma linha de crédito que era financiada por Angola", disse Georges Chikoti, ministro angolano das Relações Exteriores, em entrevista à RNA.

Brasília - O governo angolano espera que o Brasil retome, como nos anos anteriores, a linha de crédito para Angola, afirmou, terça-feira (27), o ministro das Relações Exteriores de Angola.

Nas últimas semanas, membros do governo angolano têm feito declarações, no mesmo sentido, a propósito da suspensão do financiamento brasileiro, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na sequência das investigações relativas a esquemas de corrupção que beneficiaram políticos, partidos e grupos empresariais, entre eles a construtora Odebrecht, que mantém negócios em Angola há mais de trinta anos. 

"Nós queremos esperar que o Brasil consiga honrar os seus engajamentos que permitiram durante os anos anteriores criarmos uma linha de crédito que era financiada por Angola", disse Georges Chikoti, em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA), quando procedia ao balanço do ano.

O governante angolano referiu que durante a cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) abordou o assunto com o seu homólogo brasileiro, José Serra, além da delegação angolana ter sido recebida pelo Presidente do Brasil, Michel Temer.

Segundo o chefe da diplomacia angolana, Angola exprimiu as suas preocupações no encontro.

"Relativamente à nossa preocupação, claro que há algum atraso que o Brasil tem relativamente aos nossos projetos de cooperação", disse o governante angolano.

Georges Chikoti realçou que o Brasil "vai fazer o melhor para que possa corresponder à altura" das relações entre os dois países. "Mas Angola, do seu lado, tem estado a honrar aquilo que são as relações com o Brasil", disse.

Acrescentou que com os atrasos da parte brasileira, várias empresas daquele país também sofreram com a situação.

"Mas temos a esperança que os próximos encontros dos técnicos angolanos dos ministérios das Relações Exteriores e das Finanças, que vão estar a olhar para estas questões, poderão permitir um encontro eventualmente a um nível mais alto, ministerial ou presidencial, para podermos efetivamente relançar aquilo que é a nossa relação bilateral com o Brasil", disse o chefe da diplomacia angolana. 

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