Domingo, 26 de Março, 2017

Segurança de redes deve ser tratada como política de Estado, defendem especialistas

Em encontro sobre espionagem eletrônica, especialistas avaliaram o descuido do Brasil e que é preciso desenvolver empresas e produtos exclusivamente nacionais para a segurança da soberania do País.

Rio de Janeiro - Há muito tempo especialistas do setor de tecnologia da informação sabem que a prática de espionagem é comum entre agências de segurança, disse o coordenador do Projeto de Rede Nacional de Segurança de Informação e Criptografia (Renasic), Antônio Carlos Menna Barreto Monclaro.

Por isso, especialistas não se surpreenderam com as denúncias de espionagem dos dados da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras pelos Estados Unidos.

O que chama a atenção, segundo Monclaro, é que os dados foram coletados dentro do país. "Verificou-se que não existe mais privacidade nenhuma dentro da internet. As soluções passam por mobilizar a comunidade científica", disse Monclaro, que defende soluções tecnológicas e não políticas.

O engenheiro do Instituto Militar de Engenharia (IME), José Xexéo, defendeu que o assunto seja tratado como política de Estado, com desenvolvimento de empresas e produtos brasileiros.

Para isso, não adianta desenvolver um sistema de segurança que use produtos estrangeiros, pois facilitaria a espionagem, nem fabricar os itens de olho no lucro.

Ao ser tratado como política de Estado, o projeto não precisa ser economicamente viável, mas sim ter condições tecnológicas para ser realizado. "Não se estará fabricando para ganhar dinheiro, mas para ser independente", reiterou.

Desde 2007, o professor Rodrigo Assad, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, trabalha no Grande Armazém de Dados Brasileiros, projeto para salvar volumes expressivos de dados processados. "Não pode pegar os dados da Presidência da República e botar no Gmail. É uma questão de governança e de soberania", alertou.

Para Assad, o governo federal deveria formar uma base de conhecimento com tecnologia brasileira, reunindo todas os projetos do setor de segurança na web e interligar as experiências.

O professor Luís Felipe de Moraes, do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Coppe, ainda lembrou que é preciso considerar como os dados serão transmitidos. Atualmente, até os celulares são monitorados pelas agências americanas.

Por isso, se faz tão urgente dominar a tecnologia. "É preciso reescrever o capítulo de segurança da internet no Brasil. Isso leva tempo. E, enquanto isso não é feito, as pessoas têm que tentar se proteger de alguma forma", afirmou Moraes.

Os especialistas participaram do encontro sobre o tema "Espionagem eletrônica: Até que ponto estamos seguros?", no auditório da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento reuniu especialistas das áreas de segurança de redes e criptografia.

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