Segunda, 22 de Dezembro, 2014

Personalidades portuguesas pedem mudança de política ou demissão do primeiro-ministro

Se não houver mudança de política, dizem os signatários do documento, o primeiro-ministro deve "retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao senhor Presidente da República, poupando assim o país e os portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências".

Lisboa - O ex-presidente de Portugal e fundador do Partido Socialista encabeça uma carta aberta dirigida ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (PSD) na qual 70 personalidades pedem mudança do rumo político seguido pelo governo ou a sua demissão.

A carta, que foi também enviada ao presidente da República, Cavaco Silva, ex-primeiro-ministro, do PSD, acusa o governo de ter defraudado intencionalmente os eleitores.

Se não houver mudança de política, dizem os signatários do documento, o primeiro-ministro deve "retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao senhor Presidente da República, poupando assim o país e os portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências".

Além de Mário Soares, a carta aberta enviada quinta-feira ao governo e a Cavaco Silva é assinada, entre outros, por Carvalho da Silva, Medeiros Ferreira, Eduardo Lourenço, Cipriano Justo, Bruto da Costa, João Ferreira do Amaral, Frei Bento Domingues, Júlio Pomar, Manuel Maria Carrilho, Pedro Abrunhosa, Teresa Beleza, Adelino Maltez, Valter Hugo Mãe, Pilar del Rio, Vítor Ramalho, Ferro Rodrigues, João Galamba, Inês de Medeiros, Pedro Delgado Alves, Pedro Nuno Santos, Fernando Rosas, Daniel Oliveira e Helena Pinto.

Uma carta assinada por 70 subscritores de diferentes sectores da vida social portuguesa, o primeiro dos quais Mário Soares, foi hoje entregue ao primeiro-ministro. No documento os signatários pedem que Passos mude o rumo político do País ou que, em alternativa, se demita.

Várias personalidades da sociedade portuguesa pediram, hoje, em carta aberta ao primeiro-ministro que altere o rumo político do país ou que, em alternativa assuma as consequências das suas decisões e apresente a demissão. Cópia do documento, cujo primeiro subscritor é Mário Soares, foi enviada ao Presidente da República. A carta foi publicada pelo jornal "Público".

Os 70 subscritores de distintas esferas da sociedade entendem que "os eleitores foram intencionalmente defraudados", acrescentando que "nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste". A carta salienta que nenhum candidato podia invocar desconhecimento quanto à real situação do país quando sufragou o programa eleitoral e que as medidas tomadas em muito excederam o proposto pelo actual governo.

Na carta enviada a Pedro Passos Coelho lê-se que o "embuste" foi "sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado".

Para os subscritores do documento, "perdeu-se toda e qualquer esperança" e alegam que o Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo".

O envio da carta ocorre depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2013 e os signatários recordam que "as previsões que o Governo tem apresentado" relativamente a vários indicadores económicos e sociais "têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa".

Nomes como João Galamba, Inês de Medeiros, Eduardo Ferro Rodrigues, Manuel Maria Carrilho, Inês Pedrosa, Pedro Nuno Santos, Pilar del Rio, Valter Hugo Mãe, Júlio Pomar ou Boaventura Sousa Santos subscrevem esta missiva afirmando que "é indispensável mudar de política para que os portugueses retomem confiança e esperança no futuro."

Os signatários concluíram que "se ergue, como uma exigência" que Passos Coelho "altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República". Desta forma o primeiro-ministro pouparia o "País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências".

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