Quinta, 18 de Dezembro, 2014

Escritor José Luís Peixoto quer que primeiro-ministro português emigre

O autor português, que lançou a obra “Livro” no Brasil, retratou na “Folha de S. Paulo” o estado da nação e fez votos de que Pedro Passos Coelho abandone Portugal e que o povo reverta a presente situação de crise.
José Luís Peixoto critica opções do Governo português.

São Paulo - O escritor português José Luís Peixoto manifestou este domingo, em um artigo de opinião na "Folha de S. Paulo", a sua esperança de que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho abandone o país, seguindo o conselho que ele próprio deu aos jovens portugueses, perante a crise instalada em Portugal e a falta de empregos no país.

"Com alguma sorte, talvez o primeiro-ministro emigre. Essa é a esperança de muitos, entre os quais me incluo", escreve José Luís Peixoto, que, aos 38 anos, é já um dos maiores valores da literatura portuguesa contemporânea e que lançou no Brasil a sua mais recente obra, intitulada simplesmente "Livro".

No seu texto na "Folha de S. Paulo", José Luís Peixoto lembra que a taxa de desemprego em Portugal ultrapassa os 15% e entre os jovens quase chega aos 37%. "As medidas tomadas pelo governo obrigam os portugueses a recuos nas condições de trabalho que os colocam na posição em que estavam há mais de 30 anos", observa.

"Hoje, em Portugal, com contratos muito precários, sem segurança e sem direitos, as lojas estão lotadas de sociólogos e antropólogos dobrando roupa em troca do ordenado mínimo", nota ainda o escritor luso.

José Luís Peixoto lembra ainda o desinvestimento do Governo na área cultural. "No mundo da cultura, o sinal chegou quando o novo governo extinguiu o ministério e o substituiu por uma secretaria de Estado. Desde então, acabou-se quase completamente com o apoio ao cinema português, ao teatro, à dança etc.", lamenta.

Apesar de todas as adversidades apontadas, o escritor português não quis deixar de passar para os leitores brasileiros uma imagem positiva. "Os artistas continuam a fazer arte. Toda a gente continua a viver. Os portugueses lutam diariamente para reverter essa situação. O que acontecerá mais cedo ou mais tarde", aponta José Luís Peixoto, concluindo que "tem de ser repetido" que "Portugal é um país maravilhoso".

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