Presidente da companhia brasileira, participada da Brisa, revelou que há dois interessados em entrar no capital da Concessionária do Rodoanel Oeste.
Jorge Horta
Trecho Oeste tem 29 quilômetros e dará receita total de R$ 14,3 bilhões.
São Paulo - A CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), participada brasileira da Brisa, está estudando a possibilidade de entrada de um parceiro internacional no consórcio que irá explorar o trecho Oeste do Rodoanel, no Estado de São Paulo. A CCR assinou no passado dia 2 o contrato para esta concessão, por meio da Concessionária do Rodoanel Oeste, onde a CCR assume participação de 95% e a Encalso os restantes 5%.
O presidente da CCR, Renato Vale, revelou hoje em conferência para analistas financeiros que a companhia já tem interessados na nova concessão. "Depois do fechamento da proposta avaliámos o que podíamos acrescentar de valor aos nossos accionistas. Essa possibilidade existe e temos dois interessados [em entrar na Concessionária do Rodoanel Oeste]", explicou Renato Vale na teleconferência. O presidente da CCR disse que a companhia está trabalhando com duas consultoras para estudar nos próximos meses qual a melhor solução na venda de capital da nova concessionária.
Na apresentação que a participada da Brisa fez aos analistas do mercado financeiro Renato Vale e o diretor de relações com investidores, Arthur Piotto Filho, deram detalhes sobre como será estruturada a nova operação da CCR, que terá cerca de 29 quilômetros de extensão.
A CCR recorrerá a um empréstimo-ponte de curto prazo, que terá um valor de R$ 650 milhões e um prazo de 180 dias (seis meses). Depois a companhia fará um financiamento de longo prazo, com o valor aproximado de US$ 950 milhões. A proposta com a qual a CCR ganhou o trecho Oeste do Rodoanel implica o pagamento de R$ 2 bilhões (10% no ato da concessão e 24 parcelas de R$ 75 milhões) e de uma outorga variável de 3% da receita bruta.
Na conferência com analistas, Arthur Piotto Filho indicou que a dívida será tomada pela concessionária e não pela CCR, pelo que à partida a política de distribuição de dividendos da CCR não será afetada. Arthur Piotto Filho garantiu que o financiamento de longo prazo estará concluído até ao final do ano. Nos próximos seis meses a CCR trabalhará, portanto, para encontrar os bancos que farão o empréstimo.
Neste financiamento maior a CCR pretende estabelecer um contrato de sete anos, prorrogável por mais oito. A companhia quer também que o empréstimo de longo prazo não tenha nenhuma amortização a vencer nos três ou quatro anos iniciais.
O trecho Oeste do Rodoanel terá o tráfego 100% pedagiado, com 13 praças de pedágio. A tarifa ofertada é de R$ 1,1684. O investimento inicial da CCR no pavimento, drenagem, sinalização, iluminação, segurança e praças de pedágio é de R$ 49 milhões.
A CCR, que é participada a 17,9% pela Brisa, prevê que a Concessionária do Rodoanel Oeste obtenha uma receita bruta de R$ 14,3 bilhões, receita líquida de R$ 13 bilhões e uma margem de EBITDA de 85% na média dos 30 anos da concessão. A nova operação deverá começar a gerar caixa em novembro.