Novo sistema começa a agilizar distribuição de energia e objetivo é evitar apagões.
Daise Lisboa
Brasília - O papel da Companhia Energética de Brasília (CEB) não é apenas de distribuir energia, mas garantir excelente prestação de serviço ao consumidor e desenvolver sistemas que atendam as demandas pelo crescimento do Distrito Federal, criando para isso mecanismos que mantenham a energia em todos os pontos do DF 100% executável. Para reforçar esse papel a CEB está apostando no novo sistema elétrico de distribuição de energia do Distrito Federal.
O diretor de Operação da CEB, Hamilton Naves, explicou ao Portugal Digital que os projetos que estão em execução atualmente, foram criados com quase cinco anos de antecedência, uma vez que esse tipo de demanda requer um projeto que é estudado e até começar a ser implantado leva algum tempo. O diretor explica o sistema elétrico de distribuição de energia do Distrito Federal que este ano desponta como uma das principais mudanças no setor energético do DF, consiste em anéis que ligam pontos do DF e transmitem a energia em círculos, formando ma cadeia que não interrompe o fornecimento de energia. E custa caro. O investimento é de R$ 100 milhões anuais. “Então até 2014 deveremos investir R$ 400 milhões”, contabilizou o diretor, sem contar os dois anos anteriores.
Para que se entenda os benefícios da implantação desse sistema, o diretor de Operações fez um comparativo entre o atual – o radial, e o novo – em forma de anel. “O sistema radial tem de um lado a fonte de energia – a geração de uma posição – , e do outro lado os consumidores. Se houver algum problema nessa linha, a exemplo da descarga de um raio, será cortada a geração de energia, então essa comunidade toda fica sem energia. Mesmo que exista mais de uma linha nesse sistema o problema acaba afetando tudo e várias pessoas podem ser prejudicadas”, referindo ao sistema radial. Segundo Hamilton, o tempo de restabelecimento dessas cargas também é um pouco mais demorado porque deve-se detectar o problema, consertar e depois retornar a energia a essas casas.
No caso do sistema em anel, há todo um sistema interligado. “Você tem cargas interligadas com gerações fechando esse círculo. Se, por ventura, uma das linhas, que atendem as cargas caem, temos a possibilidade de atender essas cargas pelo outro polo. Então, a energia chega de todos os lados”, explica.
Esse sistema de criação de anéis que está sendo implantado no Distrito Federal desde 2008, atravessou 2009 e chega em 2010 como um dos maiores avanços no setor para manter a energia e evitar apagões. Mas vai demorar até ser concluído: pode chegar a 2015. Hamilton lembra que o sistema é um projeto que vinha sendo estudado há vários anos, e que só a partir de 2008 começou a ser implantando em diversas áreas da DF e já começa a atender a população. “Os projetos são executivos, já diz quantos postes serão necessários, capacidade do transformador, etc. É sempre assim: há coisas previstas para 2015 que já estão no planejamento, e até posterior, como para 2017”, antecipa.
Força em kilowatts
A energia do DF é de tensão 138 kilowatts – representa 138mil volts –, que é a maior tensão que abastece Brasília e está sendo mantida no novo sistema. Segundo Hamilton, há diferenças de tensão na extensão de todo o DF, muitas abaixo desse número, mas isso não interfere na qualidade da energia que é distribuída. Aliás, parte do sistema que já funciona no Distrito Federal nas tensões inferiores de 138 kw, não é em anel. “É um sistema feito em rede em que você tem todo o conhecimento e atende vários pontos, e não um único ponto”, exemplifica Hamilton Naves, demonstrando que o sistema já existente é eficiente para atender a população, mas que o novo vai fazer a diferença para evitar apagões. O diretor explica que a implantação do novo sistema é um trabalho demorado. “Gasta-se alguns anos porque são linhas de transmissão de construção demorada. Precisa-se de muita técnica para essa construção”, avalia.
Ampliação das linhas
O novo sistema está sendo implantado desde 2008, construindo os anéis que vão manter o equilíbrio do fornecimento em todo o DF. “Os trabalhos prosseguem em 2010, 2011, e vamos continuar em 2014, 2015, até fechar todos os anéis no Distrito Federal e concluir o sistema”, prevê o diretor.
De acordo com Hamilton, o suprimento de energia do DF que até então vinha de Brasília Sul e de Samambaia, são originariamente linhas radiais para atender tanto Taguatinga, quanto Ceilândia, e seguir até Brasília Norte, Brasília Centro, Santa Maria e o Monjolo. “O sistema que se tem hoje aqui, no DF, é dependente dessas fontes. Ao longo do tempo a gente vem trabalhando nessa situação. Já fechamos alguns sistemas originais, como o de Samambaia, para Monjolo e para Santa Maria que interliga com Corumbá IV que é outra fonte”, exemplificou o diretor demonstrando como o sistema vem sendo substituído ao longo dos últimos dois anos.
Todo esse trabalho vai contar, num futuro bem próximo, com a energia de usinas novas, como Corumbá III (em fase pré-operacional), Vale do Amanhecer (Planaltina) e a Subestação do Mangueiral. De acordo com Hamilton está previsto para este ano, a construção de uma nova linha que passa pelo Riacho Fundo e Núcleo Bandeirante. “Ela vai chegar provavelmente entre o final de 2010 e o primeiro semestre de 2011 até o Setor de Embaixadas Sul, chegando até Brasília Norte. Nós vamos fechar esses grandes anéis da área central de Brasília”, garantiu.
Como as obras serão diluídas até 2015, Hamilton diz que para 2012, talvez alcançando 2013, será fechado um anel que virá por Ceilândia Norte. “Ele vai passar por fora, fechando Taguatinga, que já fica nesse anel, chegando também por Brasília Norte. E por último, provavelmente, em 2014, porque ainda estamos em negociação, vamos interligar uma outra usina que existe em Minas Gerais, que tem a nossa participação, assim como da Cemig, que é a de Queimado, em Sobradinho, via PADF-Rio Preto. Portanto, estaremos fechando esse anel até 2015”, prevê o diretor.
Hamilton Naves vibra quando fala das linhas que fazem e farão parte desses anéis, porque a cada ligação por meio dos anéis, ele vê o tanto de possibilidades que existem para atender essas linhas, apenas no nível de 138kw. “A gente tem uma segurança nessa área porque estamos criando fontes e, no futuro, vindo mais uma fonte do Estado de Goiás. Então, não teríamos mais nenhum problema de falta de energia”, avalia, destacando que dessa forma estaria garantida a geração de energia ao redor de Brasília inteira. “Além da Barragem do Paranoá que está aqui dentro, teríamos todo o sistema malhado. Se a gente tem essa segurança de sistema nessa tensão de 138kw, não haveria mais possibilidade de apagões gerais na cidade. Seria uma garantia e teríamos confiança no sistema”, ressaltou.
O diretor explica que o novo sistema não visa liberar mais ligações de energia, mas tornar o sistema mais confiável no abastecimento. Da mesma forma que o número de subestações, que independe desse sistema de anéis, segundo Hamilton, é ampliado de acordo com o crescimento da cidade. “Várias subestações também vão sair nesse tempo aí [até 2015], que é para redistribuir as cargas dos anéis que estão sendo criados. Várias subestações serão criadas, como a do Setor Noroeste, a do Riacho Fundo. Hoje, há 32 subestações de grande porte, o que demonstra que não há apenas uma para cada cidade. É mais de uma por cidade, e com o crescimento do DF o número vai aumentar. A previsão, é que esse número dobre até 2015”, avalia.
Concessão será renovada em 2015
A CEB trabalha com o horizonte de 2015 porque é o prazo final do contrato da concessão, dado pela União, por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em 2012 a empresa tem de pedir a renovação da concessão, três anos antes. “Fazemos o pedido para a Agência Nacional de Energia Elétrica, que representa a União por mais 30 anos. E pode ser que consigamos até mais de 30 anos. Temos de estar em 2012 com o sistema todo montado, já com uma confiabilidade maior, para que a possibilidade de renovação seja mais efetiva”, diz o diretor.
Brasília é conhecida nacionalmente por ser a capital que mais consome energia. A média de consumo da população é uma maiores, que fica em torno de 280 kilowatt-hora/hora. “Isso varia de região para região no DF. Em algumas regiões o consumo é maior como o dos Lagos Norte e Sul. Já em regiões carentes tem uma participação menor, mas a média é de 280 kw”. Hamilton atribui esse resultado à renda per capita de Brasília, que é a maior do Brasil. “Isso significa que a gente compra mais eletrodomésticos e consome um pouco mais de energia”, justifica.
Esse consumo alto pode ser amenizado com o horário de verão que, segundo Hamilton, foi criado porque a energia não é consumida igualmente ao longo do dia. “Tem horas que você consome mais, e outras menos. Mais se consome mais na hora em que está escurecendo, entre 18h e 20h. Nessa hora alguém está no banho, a televisão está ligada, o forno de microondas está ligado, então tudo que passou o dia desligado está ligado”, diz ele lembrando os horários de pico, o horário chamado da 'carga pesada'. E reforça: “Então os sistemas elétricos têm de ser construídos para suportar a carga desse horário”, admite o diretor, destacando que Brasília tem capacidade para suportar essa carga, mesmo antes de concluir a implantação dos anéis em todo o DF.
Hamilton explica que o objetivo do horário de verão é fazer um deslocamento dos horários em função da claridade. “Esse deslocamento atenua esse pico de consumo naquele horário. Enquanto você está tomando banho a iluminação pública ainda não foi ligada. Essa atenuação gera economia de investimento (porque não se precisa investir tanto para suportar uma carga grande num horário só) e gera uma redução no consumo em função da sua forma de utilizar a energia, porque você não vai dormir na mesma hora, por exemplo. Então a economia é fato. Não tenho o percentual exato, mas tem se falado em uma economia de 1%, 2% e até 3% na redução do consumo”, definiu.