A doença é prevalente entre os afrodescendentes.
Da Redação
Belo Horizonte - A doença falciforme, também conhecida como anemia falciforme, é a doença genética de maior incidência no Brasil, sendo prevalente entre os afrodescendentes. “Isso não é por acaso, é um reflexo da imigração imposta dos negros, durante séculos, no Brasil. O drama dessa enfermidade é que ela se concentra numa população de baixa renda”, ressalta o coordenador estadual de Doenças Complexas, Carlos Machado.
A doença é o foco das atenções de profissionais de saúde de diferentes especialidades, pesquisadores e gestores públicos de mais de 20 países, que estão reunidos desde a último dia 3 em Belo Horizonte, para o V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias e para o Encontro Pan-americano para Doença Falciforme – Organização Pan-americana de Saúde/ Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS).
O Encontro Pan-americano, nos dias 3 e 4 de outubro, e o Simpósio, de 4 a 7, marcam o aumento da atenção e da preocupação com a doença falciforme no contexto da saúde pública mundial. Temas relativos ao contexto atual da doença, com ênfase em pesquisas científicas inovadoras e nos avanços para o tratamento e acompanhamento de pacientes serão tratados com profundidade e com vistas à implantação de melhorias e benefícios para as populações de todos os países envolvidos, que assinarão um protocolo de intenções.
Em razão da grande importância epidemiológica da doença falciforme nos países da África, o V Simpósio conta com a presença de especialistas e pesquisadores vindos desse continente.
Estimativas apontam que uma em cada 30 pessoas nascidas em Minas Gerais é portadora da moléstia. Atenta a essa realidade, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) desenvolve um trabalho de diagnóstico e tratamento que é considerado referência mundial. “Por ser hereditária, o diagnóstico precoce é fundamental para o controle dos sintomas”, explica Machado.
Além de possuir o terceiro maior programa de triagem neonatal do mundo (atrás apenas da Califórnia e do Texas, nos Estados Unidos), Minas Gerais possui também um trabalho pioneiro de acompanhamento dos pacientes, que podem ter sérias complicações, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e crises de dores intensas.
O “gene falciforme” altera o formato dos glóbulos vermelhos, o que dificulta a passagem dessas células pelos vasos sanguíneos. A redução da circulação sanguínea pode resultar em lesões em diversos órgãos, Acidente Vascular Cerebral (AVC), infecções, úlceras de difícil cicatrização, crises de dores intensas que não cedem com analgésicos usuais, sendo necessário até o uso de morfina.