Segundo o presidente da TAM S/A, objetivo do grupo é ter participação minoritária, mas com poder de influir nas decisões, como forma de proteger sua operação
Da Redação
São Paulo - O presidente da TAM S/A, holding do grupo TAM, Marco Antonio Bologna, disse que a empresa pretende participar do modelo de expansão dos aeroportos brasileiros.
Ele explica que a pretensão da companhia não é ser dona de aeroportos, mas participar da governança, para defender os direitos das empresas e dos usuários, "nem que tenhamos de ter, para isso, uma participação no capital", afirma.
O governo anunciou recentemente investimentos de mais de R$ 6 bilhões para acabar com os gargalos nos aeroportos das cidades que vão receber jogos da Copa do Mundo, em 2014. Para Bologna, isso mostra pelo menos que o governo agora se conscientizou de que há realmente problemas de infraestrutura, e mostra disposição para resolver o problema.
Segundo o executivo, não falta dinheiro para os aeroportos. O problema, segundo ele, é definir o modelo, se será público, privado, público-privado, se as empresas aéreas poderão participar. "Nós realmente queremos fazer parte", diz. "Não para ser donos de aeroporto. Mas para ter um assento na governança."
A primeira definição nessa área foi para o aeroporto de Natal, São Gonçalo do Amarante, cuja operação deve ser concedida à iniciativa privada. Nesse aeroporto, as empresas aéreas poderão ter uma fatia de até 10%.
O executivo lembra, porém, que quanto mais liberalizante for o modelo escolhido, mais aumenta a necessidade de uma agência reguladora forte – nesse caso, a Anac. "Ela é que vai procurar fazer com que as eficiências do aeroporto sejam transferidas ano a ano para a tarifa", diz. Mas lembra que teve país que adotou isso e não deu certo. "No México, foi um desastre. Porque a gente sabe que agências reguladoras em países com características como as do México, e também do Brasil, é difícil dizer que sejam independentes. Elas são vinculadas a um ministério, e, no final do dia, estão vinculadas a um interesse político."
A participação em aeroportos, no entanto, é só uma das frentes em que Bologna vem trabalhando para expandir o alcance da TAM. O executivo, que foi presidente da TAM Linhas Aéreas de 2004 a 2007, retornou em 2009 como presidente da TAM Aviação Executiva e assumiu agora em abril a presidência da recém-criada holding, tem com uma das principais missões levar adiante um plano que começou a ser desenhado em 2007, de identificar dentro do grupo atividades que pudessem ter um tratamento separado, como um negócio independente. Transformar, enfim, a TAM em uma "corporação".